A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou, nesta sexta-feira (8), o governo de Donald Trump a suspender temporariamente os pagamentos do programa de auxílio-alimentação SNAP, que beneficia cerca de 42 milhões de americanos. A decisão foi tomada pela juíza Ketanji Brown Jackson, que acatou o pedido da Casa Branca após semanas de impasse entre o Executivo e o Congresso, paralisado pelo chamado shutdown — a suspensão parcial das atividades do governo federal.
O caso gerou forte repercussão social e política no país. O SNAP, considerado o maior programa de combate à fome dos EUA, é utilizado por milhões de famílias de baixa renda para comprar alimentos básicos. Com o bloqueio dos repasses, muitos estados — como Nova York, Kansas e Oregon — começaram a liberar recursos emergenciais próprios para evitar o desabastecimento. Enquanto isso, relatos dramáticos surgem em todo o país: famílias recorrendo a doações, catando comida em caçambas e dependendo de voluntários para se alimentar.

Democratas e organizações civis reagiram com indignação à decisão, acusando Trump de usar o benefício como moeda política durante a crise. “Ele não se importa se milhões passarem fome”, criticou a governadora de Nova York, Kathy Hochul. Apesar da medida ser temporária, especialistas alertam que o impasse pode aprofundar a crise alimentar e ampliar a desigualdade social nos Estados Unidos, especialmente se o shutdown persistir nas próximas semanas.